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Panela Globalizada

Chef brasileira leva sabores tropicais à culinária alemã

Rádio França Internacional – Brasil-Mundo – 17.09.2016

Cristiane Ramalho, correspondente da RFI Brasil, em Berlim

Publicado em 16-09-2016 Modificado em 19-09-2016 em 09:21

Sabine Hueck. Foto: Paul Schirnhofer

Sabine Hueck. Foto: Paul Schirnhofer

A chef de cozinha brasileira Sabine Hueck faz parte de um time que vem reinventando a culinária alemã. Nascida em São Paulo, filha de pai alemão e mãe austro-brasileira, Sabine mudou-se para Berlim pouco antes da queda do Muro, há mais de 30 anos. Na bagagem, trouxe memórias e sabores do Brasil, que faz questão de usar em suas receitas.

Sabine já publicou 3 livros de gastronomia. No dia 16 de setembro, sai mais um do forno com a sua participação: Eine Prise Heimat (“Uma Pitada de Lar”).

Lançado no dia 16 de setembro: Eine Prise Heimat (“Uma Pitada de Lar”). Arquivo Pessoal

Lançado no dia 16 de setembro: Eine Prise Heimat (“Uma Pitada de Lar”). Arquivo Pessoal

O livro é uma criação coletiva e inusitada entre 12 chefs de cozinha e um grupo de refugiados. A parceira de Sabine na aventura culinária foi a síria Sara Alshehabe.

“Tive duas semanas para pensar em algo novo a partir da receita favorita da Sara”, conta a brasileira, que enfrentou resistências. “Eu queria usar ingredientes como a castanha-do-pará, e ela achava muito estranho. Aí ligava para a mãe, e perguntava se podia. Não foi fácil convencê-la, mas no final deu certo”, lembra Sabine, rindo. Do encontro, surgiram quatro receitas para o livro.

Eine Prise Heimat foi organizado pela associação Über den Tellerand, que apoia refugiados em Berlim. A edição será bilíngüe – em alemão e inglês. E o dinheiro obtido com a venda será revertido para novos projetos.

O quartel-general de Sabine em Berlim é o Atelier Culinário – espécie de laboratório gastronômico, onde a chef oferece cursos e promove eventos culturais, como vernissages e leituras.

“A gente não faz só comida. É um lugar de encontro, mas sempre ligado à gastronomia”. É também cenário para fotos editoriais, como as do novo livro, e festas de atrizes e apresentadoras da TV alemã, que buscam privacidade longe das lentes dos Paparazzi.

Foto: Christine Hueck

Foto: Christine Hueck

Com sua gastronomia requintada e com pitadas de Brasil, Sabine – que também tem nacionalidade alemã – virou a perfeita síntese entre os dois países.

Não por acaso, seu tempero foi parar na Feira do Livro de Frankfurt que homenageou o Brasil, em 2013. Um mega desafio. “Tive o prazer de fazer o catering para três mil pessoas na abertura da Feira. Teve até peixe marinado na caipirinha… Foi muito bom“, diz.

Sabine adora misturar ingredientes dos quatro cantos do mundo, investindo numa panela globalizada que os alemães demoraram a descobrir.

Gastronomia de Sabine Hueck

Foto: Florian Bolk

A chef lamenta, por exemplo, que a comunidade turca – numerosa no país – até hoje tenha tão pouca influência na gastronomia local. “Os turcos estão há mais de cinqüenta anos aqui, mas ainda se vê pouca coisa fusionada”.

A abertura gradual vem ajudando o país no ranking internacional. Segundo Sabine, a Alemanha foi o país com mais restaurantes estrelados, depois da França, na classificação do Guia Michelin do ano passado.

“Ainda bem que isso está mudando, porque tem a ver com a cultura e com a abertura das pessoas”, avalia. “E como a comida alemã não é das mais gostosas, nem criativas, tem ainda mais necessidade de se misturar”. Palavra de chef.

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