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Com medo de ataques, Alemanha aconselha estocar comida e água

O governo alemão vai anunciar nesta quarta-feira(24) um novo plano de defesa civil para o país. As autoridades devem orientar a população a fazer estoques de alimentos e água potável para se prevenir de um possível ataque armado ou de uma catástrofe natural.

Cristiane Ramalho, correspondente da RFI Brasil, em Berlim

RÁDIO FRANÇA INTERNACIONAL – 24.08.2016

Ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maiziere, apresenta o novo plano de defesa nesta quarta-feira (24) em Berlim. REUTERS/Stefanie Loos

De acordo com o jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, que teve acesso ao esboço do relatório, o governo avalia que as pessoas devem se preparar para uma situação “improvável”, mas que pode “ameaçar a sua existência”. As autoridades estariam se preparando também para um possível ataque cibernético, com sabotagens, por exemplo, contra usinas de energia ou de abastecimento de água. O dispositivo deve incluir a mobilização de civis para apoiar as Forças Armadas em situações de emergência.

Antes mesmo de ser anunciada, a nova estratégia já começou a provocar polêmica. Para os partidos de oposição, a proposta é alarmista e só vai gerar pânico na população. Alguns temem que o plano provoque uma corrida aos supermercados e o desabastecimento de produtos. Já outros acham que a medida pode aquecer a economia.

Redes sociais ironizam medida do governo

Nas redes sociais, a ideia de voltar a fazer estoques no país – uma prática abandonada desde o fim da Guerra Fria, em 1991 –, provocou críticas bem-humoradas. O tema ganhou a hashtag Hamsterkäufe, um termo que os alemães usam para se referir aos que têm mania de comprar em grande quantidade.

O novo plano, que vem sendo discutido desde 2012, chega num momento em que a Alemanha ainda vive sob o impacto de uma série de ataques ocorridos em julho – dois deles feitos por jovens vinculados ao grupo terrorista Estado Islâmico. As medidas também são lançadas em meio a uma disputa eleitoral, às vésperas de duas eleições regionais, em setembro, e de eleições gerais que vão acontecer no ano que vem, que têm a questão da segurança no topo da agenda.

Mas, segundo o Ministério do Interior, responsável pelo novo plano, o governo está apenas atualizando uma estratégia de mais de 20 anos, e que já estava defasada.

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