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Livro “Notícias da Favela”

LIVRO-NOTICIAS DA FAVELA by Cristiane RamalhoSinopse: “Com engenho, arte e espírito crítico, Cristiane Ramalho narra uma história que envolve personagens reais que circulam por favelas e asfaltos do Rio de Janeiro. Nesse belo e instigante relato, ancorado na experiência do site Viva Favela, a principal novidade são os correspondentes comunitários e suas histórias. A partir deles, surge um inédito experimento jornalístico que, feito na favela, consegue ecoar para além de seus limites territoriais e abrir trilhas para novas formas de interação social.” (Regina Novaes, antropóloga)

Capítulo 1 – Em busca de novos ângulos
A vista para o mar é indevassável. E o silêncio (quase sempre) garantido. Mas a vantagem de se morar no Caranguejo, pequena favela fincada no topo do morro do Pavão-Pavãozinho, acaba aí. De costas para a praia de Copacabana, o que se vê são pessoas vivendo em casebres de estuque, num estado de miséria quase absoluta. Uma hora de descida íngreme, e anos-luz de qualidade de vida, separam seus moradores de um dos bairros de maior poder aquisitivo do país.

São habitantes de um Rio de Janeiro tão fora do mapa, que até mesmo quem morou a vida inteira em seus arredores pode nunca ter ouvido falar deles. Como Rita de Cássia, correspondente do Viva Favela, que descobriu o lugar quando batia perna pelo morro à procura de pautas.

Rita saiu devastada ao descobrir que as crianças ali mal sabem o que é comida. Em muitas casas, não há cama ou mesa. Em outras, falta banheiro e cozinha.

Em quase todas, produtos básicos de higiene, como sabonete e fralda, são raríssimos. A correspondente, que mora no morro do Cantagalo, geminado ao Pavão-Pavãozinho, numa confortável casa de dois andares com vista para o mar de Ipanema, ficou assustada com a descoberta. Para ela, vilas desse tipo só existiam nas imagens distantes dos grotões do país que chegam pela TV.

“O contraste social não existe só quando a gente olha do morro para baixo e vê os grandes prédios de Copacabana e Ipanema. A gente tem isso dentro da própria comunidade”, comentaria Rita, assombrada ao se perceber deslocada para o “status” de elite do morro.

Não foi uma reportagem fácil. Até fechar a apuração, Rita voltou ao topo do Caranguejo, a porção Brejo da Cruz de Copacabana, umas cinco vezes. Uma caminhada pesadíssima, pontuada por becos, ladeiras e escadarias de tirar o fôlego. Chegou a se rebelar durante uma reunião de pauta: “Parei. Não subo mais!”, decretou. Mas foi convencida a terminar a história, que mudaria sua percepção da favela e de si mesma.

Baixe o livro na íntegra, ou leia no interativo abaixo.

Repercussão:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq2911200714.htm
http://www.abi.org.br/um-olhar-diferenciado-para-as-favelas/
http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/bitstream/handle/10438/12531/!!Mayra-Juc%C3%A1_DISSERTACAO_DEPOSITADA.pdf?sequence=1
http://www.historia.uff.br/stricto/td/1625.pdf
http://www.ec.ubi.pt/ec/09/pdf/EC09-2011Mai-16.pdf
http://www.observatoriodeseguranca.org/imprensa/livro